{"id":102,"date":"2012-05-20T22:05:16","date_gmt":"2012-05-20T22:05:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.mendesmercantil.com.br\/web\/?p=102"},"modified":"2014-04-02T15:51:04","modified_gmt":"2014-04-02T18:51:04","slug":"entrevista-com-maria-lucia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mendesmercantil.com.br\/web\/entrevista-com-maria-lucia\/","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o Inclusiva"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\">Especialista em psicopedagogia, doutoranda e mestre em educa\u00e7\u00e3o pela Universidade Federal da Bahia, Maria L\u00facia, desenvolve um trabalho desde 2003 na classe hospitalar, uma modalidade de ensino pouco conhecida e que segundo a mesma pode ser considerada como um singelo modelo de inclus\u00e3o. Em Entrevista ao nosso portal, a professora e pesquisadora em educa\u00e7\u00e3o especial tamb\u00e9m compartilhou conosco um pouco de sua experi\u00eancia e perspectivas futuras sobre a pr\u00e1tica da educa\u00e7\u00e3o inclusiva nas escolas.<\/span><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>01) O que \u00e9 a classe hospitalar? <\/strong><\/span><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\">A classe hospitalar \u00e9 uma modalidade de atendimento pedag\u00f3gico prestado \u00e0 crian\u00e7a e ao adolescente hospitalizado e\/ou em tratamento de sa\u00fade, que acredita que esses jovens pacientes, uma vez afastados da vida escolar e privados da vida social, permanecem prejudicados em sua escolariza\u00e7\u00e3o e alguns at\u00e9 em estado de analfabetismo. Acredita-se tamb\u00e9m que, al\u00e9m de contribuir para a continuidade da vida escolar, contribui para o resgate da sa\u00fade e melhor qualidade de vida deles.<\/span><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>02) Qual a import\u00e2ncia do l\u00fadico na educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as portadoras de necessidades especiais?<\/strong><\/span><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\">Percebo que ao brincar as crian\u00e7as podem explorar o espa\u00e7o ao qual est\u00e3o inseridas. Tamb\u00e9m observo que podem melhorar sua agilidade f\u00edsica, experimentar seus sentidos, e desenvolver seu pensamento. O contexto l\u00fadico pode se realizar sozinho, ou, na companhia de outras crian\u00e7as, desenvolvendo tamb\u00e9m o comportamento em grupo e o respeito \u00e0s regras. Sendo assim, aprendem a conhecer e a respeitar a si pr\u00f3prios, e aos demais.<\/span><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>03) Como os brinquedos pedag\u00f3gicos e as atividades l\u00fadicas podem auxiliar<\/strong><strong> na educa\u00e7\u00e3o inclusiva?<\/strong><\/span><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\">Brincar \u00e9 caracterizado pelos signos do prazer, da alegria e do sorriso. Esse processo traz in\u00fameros efeitos positivos aos aspectos cognitivo, afetivo, corporal e social. Ousaria aqui dizer que brincar para crian\u00e7a \u00e9 vida para ela. As situa\u00e7\u00f5es de brincadeiras possibilitam, tamb\u00e9m, o encontro com seus pares, fazendo com que interajam socialmente, em qualquer espa\u00e7o. No grupo descobrem que n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos sujeitos da a\u00e7\u00e3o, e que para alcan\u00e7ar seus objetivos precisam levar em conta o fato de que outros tamb\u00e9m t\u00eam objetivos pr\u00f3prios que querem satisfazer. Por meio de brinquedos e brincadeiras a crian\u00e7a tem a oportunidade de desenvolver um canal de comunica\u00e7\u00e3o, uma abertura para o di\u00e1logo com o mundo dos adultos, onde ela estabelece seu controle interior, sua autoestima e desenvolve rela\u00e7\u00f5es de confian\u00e7a consigo mesma e com os outros. Ao brincar a crian\u00e7a lida com sua realidade interior e faz uma tradu\u00e7\u00e3o livre da realidade exterior por ela vivenciada. Permitir \u00e0 crian\u00e7a espa\u00e7o para brincar, proporcionando-lhe intera\u00e7\u00f5es que v\u00eam, realmente, ao encontro do que ela \u00e9, aliado \u00e0s nossas tentativas no sentido de compreend\u00ea-la, efetivamente, nestas atividades, \u00e9 dar-lhes mostras de respeito.<\/span><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>04) A escola est\u00e1 preparada para incluir?<\/strong><\/span><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\">Entendo a Educa\u00e7\u00e3o Especial na perspectiva de uma modalidade de educa\u00e7\u00e3o escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com necessidades especiais. Quando necess\u00e1rio haver\u00e1 servi\u00e7os de apoio especializado na escola regular; entretanto, ser\u00e1 feito o atendimento educacional fora das classes comuns de ensino regular se pelas condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas do aluno for imposs\u00edvel a sua integra\u00e7\u00e3o (Artigo 58, par\u00e1grafo 1\u00ba e 2\u00ba da LDBEN n. 9.394\/1996). A educa\u00e7\u00e3o especial deve assegurar resposta educativa de qualidade \u00e0s necessidades educacionais especiais. Todo e qualquer aluno pode apresentar ao longo de sua aprendizagem, alguma necessidade educacional especial, tempor\u00e1ria ou permanente (Parecer CNE\/CEB n. 17\/2001, MEC\/SEESP, 2004, p. 337-8).<\/span><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\">J\u00e1 a Educa\u00e7\u00e3o inclusiva \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o para todos, voltada \u00e0 diversidade que \u00e9 insepar\u00e1vel da natureza da esp\u00e9cie humana, sejam quais forem suas diferen\u00e7as e seus estilos de aprender. Para isso, s\u00e3o necess\u00e1rias mudan\u00e7as na forma\u00e7\u00e3o dos educadores, na estrutura e no funcionamento das escolas.<\/span><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\">Desse modo, para responder sua quest\u00e3o, penso que muitas mudan\u00e7as precisam ser feitas e n\u00e3o somente a escola precisa estar preparada para incluir, mas a sociedade como um todo precisa aprender a incluir. Precisa-se tomar cuidado na quest\u00e3o de acreditar que somente a escola e os professores precisam estar preparados. Penso na escola como um contexto maior com os professores, os valores desses professores, os alunos e as fam\u00edlias desses alunos, suas cren\u00e7as e valores, a coordena\u00e7\u00e3o, a dire\u00e7\u00e3o da escola, as pessoas da limpeza, a comunidade onde a escola est\u00e1 inserida, entre outros.<\/span><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>05) <\/strong><strong>Quais aspectos destacaria em termos de mudan\u00e7as no cotidiano da escola e mais especificamente da sala de aula em uma proposta de educa\u00e7\u00e3o inclusiva?<\/strong><\/span><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\">Como disse acredito que a inclus\u00e3o encontra-se em uma esfera bem maior do que a problem\u00e1tica da sala de aula. Na verdade o trabalho precisa abranger n\u00e3o somente os alunos, mas suas fam\u00edlias e todos os funcion\u00e1rios da escola. Precisa-se antes de tudo as pessoas saberem respeitar as diferen\u00e7as uma das outras. Afinal de contas todos somos diferentes. N\u00e3o basta o professor trabalhar em sala com textos e atividades que valorize e fale sobre as diferen\u00e7as se a postura desse professor \u00e9 ser intolerante com as diferen\u00e7as. Penso que trabalhar com a Educa\u00e7\u00e3o Especial na Perspectiva da Educa\u00e7\u00e3o Inclusiva vai al\u00e9m de conte\u00fados did\u00e1ticos, a quest\u00e3o \u00e9 a postura e os valores morais das pessoas de modo a respeitarem suas diferen\u00e7as e as dos outros.<\/span><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>06) <\/strong><strong>Quais os limites e as possibilidades que apontaria, hoje,<\/strong><strong> no caso d<\/strong><strong>a escola p\u00fablica brasileira?<\/strong><\/span><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\">Um dos limites: salas lotadas. Tamb\u00e9m n\u00e3o sei te dizer se \u00e9 a falta de forma\u00e7\u00e3o de professores ou se os professores que n\u00e3o est\u00e3o interessados em realizar cursos de atualiza\u00e7\u00e3o e aperfei\u00e7oamento, ou se s\u00e3o as duas coisas. Os professores muitas vezes sentem-se angustiados por n\u00e3o terem apoio da coordena\u00e7\u00e3o e dire\u00e7\u00e3o escolar. Algumas fam\u00edlias demonstram ser intolerantes com as diferen\u00e7as, ent\u00e3o a escola procura desenvolver um trabalho que valorize as diferen\u00e7as, mas a fam\u00edlia continua a ser intolerante e isso \u00e9 bem complicado. O oposto tamb\u00e9m acontece, a fam\u00edlia tem um discurso que valoriza as diferen\u00e7as, mas na pr\u00e1tica n\u00e3o aceita as diferen\u00e7as e critica a escola. Lembro-me de uma situa\u00e7\u00e3o que aconteceu comigo em 2003, quando ministrava aulas em uma turma de 2\u00aa s\u00e9rie do Ensino Fundamental, em uma escola privada no interior do estado de S\u00e3o Paulo. A escola trazia a proposta da Educa\u00e7\u00e3o Especial na perspectiva da Educa\u00e7\u00e3o Inclusiva e um dos meus alunos tinha encefalopatia cr\u00f4nica (paralisia cerebral), usava uma cadeira de rodas para se locomover e precisava do aux\u00edlio de lupa para conseguir ler suas atividades, o que muitas vezes exigia que eu precisasse auxili\u00e1-lo mais frequentemente do que os outros alunos. Por\u00e9m, um dos alunos da sala n\u00e3o aceitava essa situa\u00e7\u00e3o e come\u00e7ou a demonstrar um comportamento agressivo para expressar sua insatisfa\u00e7\u00e3o, criticava-me o tempo todo enquanto professora, desvalorizava as conquistas do aluno com encefalopatia cr\u00f4nica, entre outros. Quando chamamos a fam\u00edlia para conversar sobre as rea\u00e7\u00f5es e comportamento do aluno a fam\u00edlia criticou e disse que o filho estava muito preconceituoso e que a escola que deveria fazer alguma coisa para resolver. O mais interessante na entrevista com essa fam\u00edlia foi que percebemos o quanto eles eram preconceituosos e que o comportamento deles acabava por influenciar o comportamento do filho. Mas, para eles era a escola que n\u00e3o estava sabendo lidar. Como era uma escola privada, tanto a fam\u00edlia como o aluno foram orientados pela coordenadora pedag\u00f3gica a procurarem um profissional para ajud\u00e1-los nesse sentido. O que aconteceu? A fam\u00edlia mudou de escola e o aluno continuou a ter os mesmos problemas, ou seja, n\u00e3o respeitava as diferen\u00e7as e nem sei se respeita at\u00e9 hoje&#8230;<\/span><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\">Entre as possibilidades acredito que uma forma\u00e7\u00e3o de qualidade para os professores e n\u00e3o me refiro \u00e0 Universidade, pois eu nem tive aulas de Educa\u00e7\u00e3o Especial quando me formei. N\u00e3o sabia quem eram Piaget, Wallon, Vigotiski, ou Paulo Freire, eu enquanto professora busquei minha forma\u00e7\u00e3o, corri atr\u00e1s do preju\u00edzo. Penso que falta isso para a sociedade como um todo. Vontade de correr atr\u00e1s e aprender. N\u00e3o se pode esperar as coisas chegarem de m\u00e3os beijadas.<\/span><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>07) <\/strong><strong>Qual forma\u00e7\u00e3o seria adequada para que os educadores exer\u00e7am pr\u00e1ticas de educa\u00e7\u00e3o inclusiva?<\/strong><\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"color: #333333;\">A forma\u00e7\u00e3o \u00e9 querer se formar. \u00c9 querer correr atr\u00e1s. \u00c9 fazer o que gosta.<\/span><\/h3>\n<h3><\/h3>\n<h3><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Especialista em psicopedagogia, doutoranda e mestre em educa\u00e7\u00e3o pela Universidade Federal da Bahia, Maria L\u00facia, desenvolve um trabalho desde 2003 na classe hospitalar, uma modalidade de ensino pouco conhecida e que segundo a mesma pode ser considerada como um singelo modelo de inclus\u00e3o. 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