Educação e Ludicidade

Graduada em pedagogia em 1983, Cristina D’Ávila começou sua carreira dando aulas na pré-escola e alfabetização, até ingressar na universidade como professora em didática. Hoje, além da UNEB, ensina na graduação e na pós-graduação da Faculdade de Educação da UFBA e coordena o Grupo de estudos e pesquisas em educação e ludicidade – GEPEL. Confira a entrevista cedida ao nosso portal.

01) Qual tipo de pesquisa desenvolve no GEPEL?

Sobre educação, ludicidade e didática (formação, docência, prática de ensino) nos vários segmentos de ensino, principalmente, educação infantil e educação superior. Meu foco de investigação tem sido a docência na educação superior atravessada pela dimensão do lúdico e da arte.

02) Porque optou por essa área?

Porque acredito que na vida não podemos passar em branco ou fazer de conta. Na vida temos que ser verdadeiros, inteiros, em tudo que fazemos. E o lúdico nos concede a chave para entendermos que só vale a pena viver e trabalhar quando estamos integrados às atividades que produzimos e sentimos prazer com elas.

03) Como define o termo ludicidade?

Ludicidade é um estado de espírito, um estado de ânimo, uma atitude de sentir-se pleno, integrado às atividades que realiza. Uma atitude permanente de buscar divertir-se em todas as situações da vida prática. Trabalhando, em família ou em situações convencionais de lazer é possível sentir-se lúdico. É buscar ver e provar sempre o lado prazeroso das coisas.

04) Qual é o uso, hoje, da ludicidade na aprendizagem escolar?

Muito pouco se pratica um ensino lúdico, por consequência, dificilmente ocorrerá aprendizagem lúdica, nos vários níveis de ensino. As pessoas, professores, em geral, que ensinam mecanicamente têm por consequência uma aprendizagem reflexa, também mecânica. O uso que se faz da ludicidade nas escolas, sobretudo na educação infantil, é instrumental – através de jogos didáticos. Isso não é ludicidade. Ludicidade é quando você conquista um estado interno de prazer, de sentir-se pleno na experiência que realiza. Para o professor despertar isso em seu aluno, ele também precisa estar investido do mesmo sentimento.

05) Qual a importância do brinquedo e de atividades lúdicas no desenvolvimento infantil?

Fundamental porque faz parte de sua linguagem e de seu modo de pensar simbólico, mágico, lúdico. A criança será mais saudável se puder se expressar através dos jogos e das brincadeiras.

06) Quando que uma criança aprende pelo brincar?

A criança aprende a brincar, desde que nasce, na sua cultura, com seus pares, familiares e amigos. Aprende estando imerso numa cultura lúdica, de sua época, de seu tempo e de seu espaço social.

07) A ludicidade também deve estar presente na educação de jovens e adolescentes? Nesse caso, como ela pode ser inserida?

Sem dúvida. Todos nós necessitamos brincar e jogar. Mas ao nosso modo. Um adulto brinca diferentemente de uma criança. A mesma coisa vale para os adolescentes, jovens em geral. Para divertir-me não preciso mais brincar de bonecas, tenho outras formas de diversão, de sentir-me em paz, até mesmo quando estou trabalhando. Isso é despertar-se para o estado lúdico. Pode ocorrer sempre em nossas vidas, desde que estejamos abertos para esse sentimento, de divertir-se internamente, em tudo quanto fazemos ou produzimos.

08) Hoje, há uma orientação na formação de professores, que os preparem para o uso do trabalho lúdico?

Não. Ainda não se deu a devida importância a essa dimensão da vida humana dentro da academia, nem dentro das escolas. Em geral, a sociedade distingue o ser lúdico de coisas sérias. E brincar pode ser algo sério, no sentido de corresponder aos seus verdadeiros objetivos internos.

 

20/05/2012 | Categoria: Entrevistas | Comentários: nenhum

 

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