O Olhar da Psicologia e as Relações entre o Brincar e as Atividades Lúdicas.

Renata Tanure é formada em psicologia pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública e pós-graduada em Gestault Terapia, uma linha teórica de abordagem da psicologia voltada para crianças. Em bate-papo na sua clinica na pituba, Renata nos cedeu uma breve entrevista sobre o olhar da psicologia e as relações entre o brincar e as atividades lúdicas.

01) Como que a psicologia vê o brincar?

O brincar é quase tudo para um criança e o que a psicanálise nos ensina é que devemos observar o modo como as crianças se relacionam com as brincadeiras, como ela vai brincar, a forma como ela se apresenta para o brinquedo, como ela não se apresenta para o brinquedo, por que é dessa forma que ela irá revelar seu interior. Afinal, é dessa maneira que a criança encontra para se expressar.

02) Qual a relação entre o brincar e a tarefa do psicoterapeuta?

O psicoterapeuta tem que entrar no mundo da criança e para entrar nesse mundo ele vai precisar brincar, mas também sabendo respeitar o espaço da criança. No jogo simbólico, que faz parte da terapia infantil, as crianças se utilizam dos jogos e brincadeiras como instrumento de leitura e compreensão do seu mundo. Brincando de casinha, por exemplo, a criança é uma mãe que vai se relacionar com sua filha, no caso uma boneca, e nesse sentido agente vai ouvir aquilo que a criança esta querendo dizer para tentar ajuda-lá da melhor forma possível.

03) Qual o papel dos recursos lúdicos e das brincadeiras de faz de conta na terapia de crianças? Qual seria um bom exemplo?

O papel dos recursos lúdicos é permitir que a criança possa acessar seu real-imaginário e conseguir verbalizar através do lúdico. Muitas vezes nas seções de terapia a criança pega um fantoche e começa a falar sobre sua vida sem se quer se dar conta. Por outro lado, existem crianças que não sabem brincar, que não conseguem fantasiar e isso já demonstra que há algo de errado, porque se a linguagem infantil é essa, o quê que esta acontecendo que ela não tá conseguindo fazer. Assim, o faz de conta é muito importante para nós psicoterapeutas, porque é através dela que acaba-se chegando ao sentimento infantil.

04) Porque educadores devem conhecer e perceber a maneira como a criança brinca?

A criança vai se expressar muito através do brincar, e tudo vai estar falando dela. Por isso, é importante que o educador esteja atento a relação da criança com o brincar para que ele possa ajudá-la no seu desenvolvimento e até identificar a necessidade de um acompanhamento psicoterápico.

05) Muitos ainda dizem que brincar é uma perda de tempo para a educação. Qual a sua visão sobre o assunto?

Eu acredito que o aprendizado infantil está diretamente relacionado ao brincar. Se a criança não brinca ela estará deixando de aprender alguma coisa. Não é causa e efeito. Não brincou não aprendeu. Não é isso, mas acho sim, que algo será perdido no caminho.

06) Nos últimos tempos, as crianças buscam cada vez mais se aproximar do mundo adulto, acelerando precocemente seu crescimento. Até que ponto querer imitar os adultos é saudável para o desenvolvimento da criança?

Toda criança tende a imitar os adultos e isso é natural e saudável. Ela precisa ter o exemplo para seguir. São nos adultos e principalmente nos pais que a criança tira referências e vai se desenvolvendo e aprendendo a se socializar. Mas os adultos tem os seus defeitos e muitas vezes eles cortam e podam as crianças em coisas que eles acham que é errado e muitas vezes não é, e isso acaba bloqueando-as. É importante que as crianças imitem os adultos de alguma forma, mas o que não é interessante acontecer é quando eles deixam de ser crianças para serem adultos.

03/06/2012 | Categoria: Entrevistas | Comentários: nenhum

 

Deixe um comentário